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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Como ERINLÊ transformou-se num rio


Orunmilá consultou Ifá, antes de deixar Ifé,
para ir-se a um país de vales.
Os adivinhos lhe disseram:
"Neste país de vales, onde pretendes ir,
encontrarás um bom amigo.
Deves fazer oferendas antes de partir,
para que tua viagem seja feliz."
Orunrnilá fez as oferendas.
Ele ofereceu quatro pombos e oito mil búzios da costa.
Quando ele chegou lá,
quando Orunmilá chegou naquele país de vales,
ele tomou-se amigo de Erinlê.

Erinlê é um caçador.
Erinlê é também um guerreiro.
Erinlê é, além de tudo, um orixá.
Esta amizade foi grande.
Erinlê tomou dinheiro emprestado a Orunmilá.
O montante deste empréstimo foi de doze mil búzios.

Quando chegou a hora de Orunmilá retomar à casa de Ifé,
Erinlê teria de reembolsar o empréstimo.
Mas ele não tinha dinheiro.
Ele sentiu vergonha e foi consultar Ifá:
"Onde poderei encontrar este dinheiro?"
Os adivinhos lhe aconselharam a oferecer um carneiro,
um galo e um cachorro.
Disseram-lhe, ainda,
que deveria oferecer vinte e um sacos de búzios da costa.
Erinlê exclamou:

"Ahl Já devo doze mil búzios!
Onde poderei encontrar todas estas coisas?"
Erinlê tinha um talismã na mãos.
A qualquer momento ele poderia,
graças a este talismã, transformar-se em água.
Quando ele assim o desejasse.

Erinlê foi, então, ao lugar onde costumava caçar.
Pôs o talismã no chão e entrou terra adentro.
Neste lugar havia uma jarra com água.

Seus filhos o procuraram durante muito tempo.
Eles foram consultar Orunmilá para que ele examinasse o caso.
Orunmilá lhes disse:
"Façam oferendas para encontrar vosso pai.
Talvez não o vereis mais,
mas encontrarão um sinal dele.
"Disse-Ihes, ainda,
que oferecessem sete cachorros, sete carneiros, sete galos e
vinte e um sacos de búzios da cota.

Os filhos de Erinlê fizeram as oferendas.
Orunmilá lhes dissera, também, que deveriam ir
com os carneiros, os cães e os galos, chamar pelo pai.
E eles foram.
Percorreram todos os lugares onde Erinlê costumava ir.
Quando chegaram ao local onde Erinlê entrara terra adentro,
encontraram seus instrumentos de caça:
fuzil, lança, arco e flechas.
Todo o material que ele usava para caçar.

E, bem no meio disso tudo,
eles viram a jarra com água.
Esta água começou a escorrer.
Esta água era abundante.
Os filhos saudaram o pai assim:
"Oh! Erinlê, o caçador, retorne à casa!
Nós oferecemos carneiro, cachorro e galos!
"E chamaram Erinlê, sem descanso.
Quando eles ofereceram estas coisas,
o rio os seguiu no caminho de casa.
Erinlê lhes disse para deixar os galos livres,
no lugar onde os encontraram.
Os galos que naquele dia eles deixaram livres,
são os galos que Erinlê cria perto de seu rio, até hoje.
Ninguém ousa matá-los.
Certa vez, pessoas ignorantes mataram alguns.
Mas os galos ressuscitavam sempre.
Dede que o prato estivesse pronto,
os galos saltavam da tigela,
batiam novamente suas asas - Puf! Puf! Puf!
E iam empoleirar-se numa árvore Akô,
cantando de novo seu cocoricô!

No mesmo momento em que Erinlê, o rio, se pôs a correr,
Oxum preparava-se para partir da cidade de Ijumu.
Ela também se pôs a correr.
E eles se encontraram perto de Edé.
Ali onde se encontraram,
o leito destes rios é suave - eles estão felizes.
Suas águas formaram um grande rio
e o curso de ambos tomou-se um mesmo.
Juntos, eles correm para a lagoa.


Lendas Africanas dos Orixá,
 Fundação PierreVerger/ Carybe eCorrupio
 Edições e Promoções Culturais Ltda

quarta-feira, 2 de maio de 2012

OGUM


 OgumYêêê!

Ogum era o mais velho e o mais combativo dos filhos de Odudua,
o conquistador e rei de Ifé.
Por isto, tomou-se o regente do reino quando Odudua
,momentaneamente, perdeu a visão.
Ogum era guerreiro sanguinário e temível.

"Ogum, o valente guerreiro,
o homem louco dos músculos de aço!
Ogum, que tendo água em casa
,lava-se com sangue!"

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos.
Ele trazia sempre um rico espólio de suas expedições,
além de numerosos escravos.
Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odudua, seu pai, rei de Ifé.

"Ogum o violento guerreiro,
o homem louco, dos músculos de aço.
Ogum, que tendo água em casa,
 lava-se com sangue!"

Ogum teve muitas aventuras galantes.
Ele conheceu uma senhora, chamada Elefunlosunlori
"aquela-que-pinta-a-cabeça-com-pó-branco-e-vemelho.',
Era a mulher de Orixá Okô, o deus da Agricultura.

De outra feita, indo para a guerra, Ogum encontrou, à margem de um riacho,
uma outra mulher, chamada Ojá, e com ela teve o filho Oxóssi.
Teve, também, três outras mulheres que tomaram-se, depois, mulheres de Xangô,

Kawo Kabieyesi Alafin Oyó Alayeluwa!
Saudemos o Rei Xangô, o dono do palácio de Oyó, Senhor do Mundo!

"A primeira, Iansã, era bela e fascinante;
a segunda, Oxum, era coquete e vaidosa;
a terceira, Obá, era vigorosa e invencível na luta.



Ogum continuou suas guerras.
Duranteuma delas, ele tomou Irê.
Antigamente, esta cidade era formada por sete aldeias.
Por isto chamam-no, ainda hoje,
Ogum mejejê lodê lrê "Ogumdas sete partes de Irê"
Ogum matou o rei Onirê e o substituiu pelo próprio filho,
conservando para si o título de Rei.
Ele é saudado como Ogum Onirê! "Ogum Rei de Irê!"
Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, "akorô".
Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô- "Ogum dono da pequena coroa".

Após instalar seu filho no trono de Irê,
Ogum voltou a guerrear por muitos anos.
Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar.
Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia,
na qual todo mundo devia guardar silêncio completo.
Ogum tinha fome e sede.
Ele viu as jarras de vinho de palma,
mas não sabia que elas estavam vazias.
O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo.
Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se.
Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas.

A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum
e ofereceu-lhe seus pratos prediletos:
caracóis e feijão, regados com dendê;
tudo acompanhado de muito vinho de palma.

"Ogum, violento guerreiro,
o homem louco dos músculos de aço.
Ogum, que tendo água em casa,
lava-se com sangue!"

"Os prazeres de Ogum são o combate e as brigas.
O terrível orixá, que morde a si mesmo sem dó!
Ogum mata o marido no fogo e a mulher no fogareiro.
Ogum mata o ladrão e o proprietário da coisa roubada!"

Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência,
e disse que já vivera bastante,
que viera agora o tempo de repousar.
Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra.
Ogum tomara-se um orixá.
  



 

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